- Tu sabes muito bem o que eu quis dizer. O que eu quis dizer é que meu amor por ti nunca morrerá e te acompanhará sempre. E o teu, sempre me acompanhará.
- Isto é que me parece uma insensatez, uma estupidez. Se eu te amo e tu me amas, se nunca nos aconteceu semelhante paixão, semelhante identidade, semelhante fervor, semelhante êxtase, por que, a troco de quê, nos separaremos?
(Os olhos de Maria da Fé se encheram d'água, uma lágrima lhe escorreu até a boca...)
- Tu sabes - disse ela, muito baixinho, olhando para o lado -, eu mesma, às vezes, penso que não existo, penso que sou uma lenda, como dizem que sou.
- Isto não faz sentido, isto não tem pé nem cabeça, é claro que não és uma lenda, estás aqui junto de mim, és minhas mulher, és minha vida, és...
- Não sou tua vida, sou teu amor. Vê bem que, para que pudéssemos viver juntos, um de nós teria de deixar de ser quem é. Não quero deixar de ser quem sou e fazer o que faço, nem que tu deixes de ser quem és e fazer o que fazes.
- Continuo a dizer que isto não faz sentido.
- Eu amo quem tu és, não aquele em que te transformarias. E tu amas quem sou, não aquela em que eu me transformaria."
[Conversa entre Maria da Fé e Patrício Macário em "Viva o Povo Brasileiro" de João Ubaldo Ribeiro]
domingo, 13 de dezembro de 2009
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